Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

23 de setembro de 2012

semana 39
O bairro do chão de lama


Costa de Caparica, bairro de barracas conhecido como Lelo. Daqui não se vê o mar, as praias ou as esplanadas que fazem o postal ilustrado desta região do município de Almada. Este sítio é mais como uma aldeia remota de um país subdesenvolvido. Não há esgotos, não há alcatrão nem calçada, a luz eléctrica é conseguida através de cabos ligados pelos moradores aos postes de electricidade. A água é trazida de quase um quilómetro de distância, transportada em baldes e alguidares à cabeça de mulheres e crianças.
“Vive-se tão perto da civilização e longe da humanidade”.
Durval Carvalho transformou a sua barraca numa venda e é assim que ganha a vida. “Todos os dias chegam novas pessoas por causa do reagrupamento familiar. O bairro não está a crescer. Não há mais casas. São só as crianças que chegam de Cabo Verde”.
A paisagem deste local é dominada de um lado pela arrábida fóssil da Costa, uma parede de terra amarela. Do outro lado estão os prédios da Caparica, alinhados uns ao lado dos outros. Um grupo de mulheres lava a roupa em selhas partilhadas à vez. A água espumosa de detergente é a mesma para todas. Uma lança ao ar uma descrição do bairro - “nem é preciso perguntar. Essa água foi trazida em cima da cabeça. Gostava de sair daqui imediatamente. Já sofri muito sem luz, sem água. Sem condições”.
De novo a palavra a Durval Carvalho – “vamos buscar a água à praça. Depois de muitos pedidos à câmara e aos serviços, fizeram um chafariz um bocadinho mais perto do bairro. Disseram que era para minimizar o nosso esforço mas penso que era para minimizar a vergonha deles, para que não continuássemos a ir com os nossos alguidares e baldes para o meio dos turistas”. Noutra casa do Lelo está o Adilson, pai de três filhos. Está desempregado.
“Tenho dois quartos, uma sala, a cozinha e casa de banho. No Inverno é que é pior. Se não tivermos um plástico para pôr em cima do telhado a água entra toda dentro de casa”.
Mais à frente, Euclides Fernandes está à porta da sua barraca. Tem ao colo uma das suas duas crianças – “temos crianças e estou preocupado que cresçam aqui, sem condições. A solução passaria por uma comissão do bairro negociar com a câmara e fazer-se aqui uma urbanização. E a mão-de-obra seria nossa, cada um fazia a sua parte do trabalho”.
Durval de Carvalho tem dois filhos, um com três anos e outro de oito meses. É membro da recente comissão de moradores do Lelo, criada para exigir o que consideram o mínimo para viver.

João Rosário
a partir da reportagem para a Antena 1, em Outubro de 2009

Alexandre Conceição
fotografia inédita, 2010

2 de setembro de 2012

semana 36
Tirar tempo do tempo

Rodrigo aprendeu há seis anos a tirar sons musicais de um tubo de plástico. Não é mais que uma secção normalmente utilizada em canalizações. O fôlego de Rodrigo transforma-o num didgeridu, o instrumento sagrado dos aborígenes australianos.
O som grave e sincopado do tubo de plástico enche a sala onde Rodrigo e Liliane praticam o didgeridu. Ele ensina, ela aprende.
Liliane é belga. Está a tirar partido de ter levado para a Cooperativa Cultural Mó de Vida, em Almada, o Banco de Tempo. “Há quem tenha muito dinheiro e quem não tenha, ou tenha pouco. Mas todos temos o mesmo tempo. O tempo é o mesmo para todos”. É a contrariar uma ideia feita que justifica a validade do Banco. Liliane aprende “didgeridu” com tempo do Rodrigo. Em troca é procurada para explicações de francês.
Como não tem carro nem sabe conduzir, Rodrigo costuma usar o tempo de outros clientes do Banco que se disponibilizem a transportá-lo quando tem necessidade. Rodrigo paga o combustível.
A ideia do Banco de Tempo teve origem em Itália e rapidamente alastrou, até aos Estados Unidos da América. Chegou a Portugal no início dos anos 90 onde conta com cerca de 30 balcões e reúne cerca 200 membros. “É um movimento social que pretende criar uma rede comunitária de entreajuda em que as pessoas disponibilizam saberes, serviços, conhecimentos”, explica Irene Freitas Silva, impulsionadora do Banco de Tempo do Lumiar, em Lisboa.
Como num banco comum, cada cliente abre uma conta, faz um depósito e levanta um livro de cheques. Ao entregar o seu tempo, oferece também as suas competências, ou pelo menos aquelas que pode e quer partilhar.
Carla Vitorino é praticante de “reiki”. “É complicado para quem tem experiência como voluntário entrar no espírito do Banco. O voluntário dá de si, sem esperar receber nada em troca. No Banco de Tempo não é assim. Tive dificuldade em perceber que também podia beneficiar dos préstimos dos outros”. A Carla usa o tempo dos outros quando precisa de ajuda para transportar um sofá ou outra actividade que requeira uso extra de força.
Há quem procure apenas companhia para passear, ou conversar. Este é um banco que distribui dividendos de igual modo a todos os que aqui investem. Dá os lucros de se partilhar o tempo, com o objectivo de facilitar quem o procura. Tem o tempo na maior cotação, afinal, um valor sem preço.

João Rosário
a partir da reportagem para a RTP, em Janeiro de 2010

Ana Grave
ilustração inédita, 2010

26 de agosto de 2012

semana 35
A dança dentro da vida


“A arte pode e deve ter uma função social. Ir ao encontro do público e, quando necessário, deslocar o trabalho artístico para espaços que aumentem as possibilidades deste encontro. Numa das cartas que troquei com a coreógrafa Idoia Zabaleta, (co-criadora da peça ‘Dueto’) reafirmo esta preocupação: ‘Se eu pudesse construir um espaço para um corpo se mover, que espaço seria este? Construir um espaço ou utilizar os que existem, colocando-os como cogumelos ou vírus em terrenos baldios, em bairros periféricos, ou ao lado de grandes teatros, parece-me ser um acto interventivo e político’ (19 Setembro de 2005). Nesta linha, tenho participado em projectos de criação artística junto de grupos em contexto prisional e, recentemente, com jovens menores, em processo de reinserção social, em centros educativos. São projectos que unem a pedagogia à criação artística e reflectem uma ligação entre a arte e a vida, promovendo a imaginação individual e o criar em grupo.
Os três projectos que mais me marcaram foram:
— ‘Rexistir’, formação e criação com reclusos do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco. Projecto de nove anos, que conseguiu criar e apresentar vários espectáculos, dentro e fora do Estabelecimento Prisional, como ‘Nus Meios’ (2006), apresentado em Lisboa, no Teatro Camões. Construímos espaços de liberdade, de respeito e crescimento mútuo entre grupo de reclusos e todos os funcionários do Estabelecimento Prisional. Foi onde descobri a minha vontade de fazer projectos de âmbito social.
— ‘Tapete’, Projecto em Centros educativos, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. Esta intervenção durou três meses, durante os quais se construiu com os jovens um pequeno objecto artístico que misturou a dança, o vídeo e a música. Um dos projectos mais difíceis, em termos de criação de laços de confiança, onde aprendi muito sobre a importância da arte, para a inserção social destes jovens.
— ‘Nu Kre Bai Na Bu Onda’, projecto de formação e criação em dança, com jovens do bairro da Cova da Moura, que deu origem a ‘Íman’, peça que viajou por vários teatros em Portugal e no estrangeiro, incluindo Ramallah e Jerusalém. Conseguimos encontrar o “lugar do meio”, o lugar da negociação, da partilha, e mostrar o bairro da Cova da Moura para além das imagens violentas que aparecem na televisão e jornais. O projecto de intervenção social e cultural promovido pela associação Alkantara vai continuar, alargando-se a jovens de outros bairros da Amadora, para além da Cova da Moura. Continuarei como coordenadora artística do projecto de formação em artes do espectáculo, desenhada para que os jovens possam tornar-se eles próprios criadores ou/e dinamizadores das suas comunidades”.

Filipa Francisco

Alexandra Lucas Coelho
texto inédito, 2010

Jorge Gonçalves
espectáculo “Dueto”

19 de agosto de 2012

semana 34
Açúcar, chocolate e canela


Maria João passou leis a pente fino, atravessou fusos horários ao telefone, desbravou caminhos que a segurança social portuguesa dizia desconhecer. Depois, apanhou o avião, duas vezes. Agora, dá banho e mimo às filhas.
— Quem é o meu pauzinho de canela?
— Eu…
— E quem é o meu torrãozinho de açúcar?
— Eu…
— Então e eu, sou o quê?
— Tu és a Branca de Neve!
— E o que é que nós somos uma sem a outra?
— Nada.
— E o que somos uma com a outra?
— Tudo!
São doces os abraços que envolvem, nas toalhas, os corpos pequenos. Como a palavra que Lena escolheu para tornar menos amargos os dias de André. “Havia miúdos que, a brincar, diziam: tu és da cor do cocó. E eu comecei a tratá-lo por chocolate, porque é algo doce e bom”. Uma vez, passou a escrito a emoção, que não parava de crescer desde o dia em que partilhou lágrimas com o companheiro, ao verem a fotografia do miúdo, no centro de acolhimento. “Um filho chocolate nasce num coração rubro. Cresce, inquieta, desafia, enquanto tecemos as malhas dos afectos”. Maria João lembra as resistências, entre amigos e até na própria família. “Vão dizer que andaste metida com um preto! Um dia, elas vão perguntar-te por que têm uma cor diferente!”. E ela, adiante, a lembrar-se disso, mãos entrelaçadas com a mais velha: “de que cor é a tua pele?” E a menina-canela, num sorriso: “é cor de pele!”. E a mãe a acreditar no futuro, a lutar por ele na associação Meninos do Mundo. Lena não esquece a raiva que sentiu quando confundiram o filho “com um arrumador de automóveis”, quando lhe atiraram, como pedras, as palavras “vai-te lavar!”. Também recorda como a vizinha chorou de alegria, quando trouxeram André para o aconchego dos novos lençóis do Mickey; como outras mães a ajudaram, na primeira ida à piscina, com conselhos e champô. Chamaram-lhe mãe-coragem. Coragem? “As pessoas não entendem que há um dia em que deixa de ser a criança adoptada e já é o nosso filho. E não há maior coragem do que uma mãe que decide ter um filho”.

João Paulo Baltazar
a partir da reportagem em Portugal para a TSF, “O meu filho chocolate”, em Novembro de 2007

Paulo Buchinho
ilustração inédita, 2010

20 de maio de 2012

semana 21
Sem sombra de pecado

“Chamo-me Olga Mariano. Sou uma mulher-árvore. Orgulhosa das minhas raízes e dos frutos que vão nascendo dos meus braços solidários. Trabalho para ajudar as outras mulheres e sobretudo as crianças. Sou uma mediadora sociocultural. Por ser mulher e, particularmente, por ser viúva, enfrentei muitas resistências para formar a AMUCIP, a primeira associação portuguesa de mulheres ciganas. ‘As viúvas estão vivas mas morreram’. Foi assim que o Jaír, um dos meus filhos, explicou a questão a um jornalista. É a tradição, compreende? Mas eles apoiaram-me, os três. Isso foi muito importante. Como eu costumo dizer, podemos ser quem quisermos, sem deixarmos de ser quem somos, sem abdicarmos da nossa cultura. Este é o desafio. Parece pouco mas não é. Nem para uma mulher-árvore, a quem nunca passou pela cabeça fazer sombra aos homens.
Sabe, nós as ciganas somos demasiado mães-galinha, levamos os filhos para todo o lado. A escola é a nossa saia, por assim dizer. A Sónia Matos, que também faz parte da associação e é auxiliar de acção educativa, acredita que, se mais ciganas começarem a deixar os filhos nos infantários, a relação com a escola poderá ser diferente. Eu concordo, até porque a venda ambulante, que tem sido o nosso principal meio de vida, não tem grande futuro, já se viu. Mas também é preciso que os professores e os outros pais percebam que a nossa cultura é especial. Os laços familiares são muito fortes e o luto é vivido de forma bastante intensa. Temos de nos conhecer todos melhor. E olhar para o exemplo espanhol. Deixe-me contar-lhe esta história. Uma mulher cigana casou-se aos 28 anos, depois de estudar Direito. Casou-se com um homem cigano, de acordo com a lei e toda a tradição cigana, mas primeiro formou-se. Hoje, marido e mulher trabalham em conjunto na câmara de Sevilha. Compreende onde quero chegar?”.

Olga Mariano, Fundadora da AMUCIP

João Paulo Baltazar
a partir de reportagem para a TSF “As passadas cautelosas das mulheres ciganas”, em Março de 2006

Javier Martinez
fotografias inéditas, 2010

6 de maio de 2012

semana 19
40 anos de terrorismo doméstico

“Tudo tinha de ser como ele queria. Tudo tinha de ser como ele dizia. E ele dizia que eu tinha toneladas de amantes. Era o homem da luz, era o homem do gás. Batia-me. Gritava: ‘Confessa!’ Eu tinha vergonha. As pessoas que me conheciam sabiam que eu não fazia o que ele dizia. E as outras?
Piorou com a idade. Piorou com o casamento dos filhos. No fim, já não havia intervalos. Quase todos os dias me batia. No ano em que saí de casa, no espaço de duas horas, deu-me três tareias.
Quando saíamos, ficava atento, como uma ave de rapina. Olhava para alguém? Alguém olhava para mim? Não era senhora de cruzar a porta de casa. Só podia sair uma vez por mês para ir ao hipermercado – com ele. Isolou-me por completo. Até nem o telefone me deixava atender.
Sempre que saía, regressava carregado de desconfiança. Punha-se a ver se havia pegadas perto das portas, perto das janelas. Eu tinha saído? Alguém tinha entrado? Não tinha sossego nem quando ele estava a trabalhar. Como trabalhava por conta própria, vinha a casa quando queria.
Sempre me dera dinheiro para gerir a casa. Deixou de o fazer. Dizia que eu o dava aos amantes. Se quisesse comprar um par de meias, tinha de lhe pedir. Para ir ao médico, os meus filhos tinham de se impor.
Fugi ao fim de 40 anos. Estou numa casa-abrigo a mais de 300 quilómetros de casa. Os meus filhos querem que eu vá para ao pé deles. Não posso, enquanto ele for vivo. Nem posso passar lá o Natal. Tenho medo que ele sonhe que estou lá. Se ele sonha, não há sossego. Alguma vez terei sossego?”.

Ana Cristina Pereira
a partir da reportagem em Portugal publicada no jornal Público, 13 de dezembro de 2009

Maria Kowalski
ilustração inédita, 2010

1 de abril de 2012

Semana 14
No Bairro de Aldoar o tema do momento
é o tema de qualquer momento: sobreviver



A palavra crise pouco dirá a quem vive em crise desde que vive? “Quem é muito pobre quer lá saber da crise!”, prega Esmeralda Mateus, presidente da Associação de Moradores do Bairro de Aldoar, na zona ocidental do Porto. A reformada diz isto e logo desdiz: “E se, com essa crise, acabam com o rendimento social de inserção [RSI]? De quê que esta gente vai viver?”.
Há muito desocupado encostado às paredes limpas do bairro. “Não arranjam trabalho”, legenda Cecília Pinto, atrás do balcão do bar associativo, contas enegrecidas pelos fiados. A filha dela está com 20 anos e não vai além de umas horitas num infantário. “Tirou o 9.º ano. Afinal, não sei para quê!”.
Uma espécie de calvário é percorrido por quem não consegue entrar no mercado de trabalho ou dele sai e esgota subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego sem conseguir reempregar-se. O RSI pode, então, surgir como única forma de atenuar a severidade da pobreza. Esmeralda Mateus não quer que se pense que a mais polémica prestação social é alguma fartuna. “Uma pessoa sozinha recebe 187 euros e isso para que dá? Onde estão as voltas de ouro que antes se viam ao pescoço? Foram vendidas ou estão no prego! Ainda bem que a canalha, agora, tem almocinho na escola! Todas as noites há gente a vasculhar os caixotes do lixo ao pé do supermercado!”.
As notícias sobre a crise chegam pelo televisor incrustado na parede. E é como se ali estivesse a professora do Charlie Brown a pronunciar frases incompreensíveis. No Bairro de Aldoar, o tema deste momento é o tema de qualquer momento: sobreviver.

Ana Cristina Pereira
a partir da reportagem publicada no jornal Público, 1 de Maio de 2010

Adriano Miranda
foto inédita, 2010

18 de março de 2012

semana 12
Maria Eugénia, a redeira que conquistou
o direito a descontar


No Inverno, a peúga calçava o pé e o saco de plástico protegia a cabeça. No Verão, o sol escurecia a perna direita. No chão de Peniche ou a bordo das traineiras com cheiro a sardinha. Na Gaivota Branca, no barco Fruto da Liberdade. Maria Eugénia recorda. Senta-se no chão da casa, perna direita traçada sobre a esquerda, prende a rede no dedo grande do pé, dá laçadas com uma agulha muito grossa. Redeira há 58 anos, esta mulher encorpada desemaranhou fios, coseu linhas para agarrar carapaus e uma reforma futura. Sacudiu o mundo dos homens, disse que também queria. O direito a descontar. O direito à Segurança Social. Conseguiu.
Maria Eugénia, quarta classe, filha de pescador, mal esperou pelo 25 de Abril de 1974. Redeira desde os 10 anos, partilhava o ofício com 60 mulheres de Peniche. Abraçou as colegas, as 30 que quiseram, e rumou ao mundo dos sindicatos e das cooperativas de pescadores, que floresciam por ali. O mulherio ficou dividido em dois grupos, sindicalizadas para um lado, não sindicalizadas para outro. “Nós e elas”. Hoje restam cinco de cada lado. “Ainda há zangas”. Maria Eugénia ri.
Vinha o mestre da traineira. Olhava para elas. Elas para ele. Mãos à espera de emendar redes. De ganhar o dia. Maria Eugénia ficou de fora várias vezes. Os “patrões das privadas” não gostavam de mulheres sindicalizadas, então “salvas” pelas embarcações das cooperativas. Palavras de uma redeira que tem hoje uma reforma mensal de 370 euros. Não é muito, mas é seu por direito. Um direito conquistado. “Não é, meu amor?”.
Amor é o marido, conheceu-o num armazém de pesca. Casaram vai fazer 50 anos. Ele faz barcos de madeira, ela conserta bocados de rede. Ele usa-as nas miniaturas. Ela fica contente. A conversa termina, Maria Eugénia fica, sentada no chão, perna direita traçada sobre a esquerda.

Lúcia Crespo
história e foto inéditas, 2010